Categoria: Sociedade
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A falsa simetria entre centro democrático e radicalismo iliberal não é neutralidade: é uma escolha. Quando a equidistância se torna estratégia, o risco não é apenas político — é democrático.
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A eventual vitória de António José Seguro não seria uma vitória da esquerda, mas do centro democrático. A segunda volta não opõe esquerda e direita, apesar da narrativa insistente de André Ventura; opõe moderação institucional a populismo disruptivo. Seguro surge como uma escolha defensiva num sistema sob tensão: não entusiasma, não mobiliza, mas estabiliza. E,…
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O liberalismo económico pode ser eficaz como resposta a crises e choques macroeconómicos. Mas quando se transforma em modelo permanente, tende a gerar desequilíbrios sociais e a fragilizar a coesão. Entre o choque e a coesão, há uma escolha política que não pode ser eternamente adiada.
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Muito se tem dito que André Ventura representa o “anti-sistema”. A ideia tornou-se quase um reflexo automático no comentário político: quem grita contra o regime, quem hostiliza instituições, quem se apresenta como outsider, só pode estar fora do sistema. Mas esta leitura é superficial — e perigosamente errada. Ventura não é anti-sistema.É, pelo contrário, do…
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Durante anos, o debate público sobre os Estados Unidos concentrou-se quase exclusivamente em Donald Trump. A sua figura dominou o espaço mediático, absorveu atenções e tornou-se sinónimo de tudo o que parecia ameaçar a democracia liberal americana. Esse foco, porém, teve um efeito colateral: obscureceu quem, longe dos holofotes, transformou o impulso caótico do trumpismo…
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O Irão voltou às ruas. Mais uma vez, a faísca foi económica: inflação galopante, colapso do rial, salários incapazes de acompanhar o custo de vida. Mais uma vez, a resposta foi previsível: repressão, detenções em massa, mortos, apagões quase totais da Internet. E, como tantas vezes desde 1979, o que começou como protesto social rapidamente…
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O debate em torno da intervenção norte-americana na Venezuela cristalizou rapidamente em dois campos opostos, ambos convictos da sua superioridade moral e ambos, paradoxalmente, incompletos. De um lado, os que condenam a ação dos Estados Unidos em nome da soberania e do direito internacional, muitas vezes reproduzindo — conscientemente ou não — narrativas alinhadas com…
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A promessa da libertação vs. a realidade no terreno A captura de Nicolás Maduro foi apresentada como um momento de rutura. Para muitos, dentro e fora da Venezuela, abriu-se a expectativa de que um ciclo autoritário chegara finalmente ao fim. As primeiras reações internacionais — sobretudo na Europa — refletiram essa cautelosa esperança: falou-se em…
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A captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro de 2026, foi apresentada como uma operação cirúrgica contra um regime autoritário. Mas lida à luz dos próprios documentos estratégicos dos Estados Unidos — e da reação internacional — torna-se evidente que não estamos perante um episódio isolado. Estamos perante a consolidação de um novo…
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A queda de Nicolás Maduro abriu uma janela de esperança para muitos venezuelanos. Depois de anos de colapso económico, repressão política e emigração forçada, é compreensível que o fim de um regime autoritário seja vivido como um alívio. Mas a história ensina-nos que a queda de um homem não equivale, automaticamente, à libertação de um…
